A Marvel está de fato
vivendo sua melhor era cinematográfica, sendo uma das principais responsáveis
pela grande década do cinema voltado para a cultura nerd. Mais uma vez, o
estúdio que nos presenteou com as fantásticas adaptações “Homem de Ferro”,
“Guardiões da Galáxia”, “Os Vingadores” e “Capitão América: O Soldado Invernal”,
faz uma aposta de risco: um herói pouco conhecido pelos fãs mais jovens e pouco
venerado pelos mais velhos, porém extremamente importante no universo dos
quadrinhos, ganha um filme solo sob a mesma responsabilidade de ser algo
grandioso.
Como sempre, a Marvel
possui ideias e táticas inegavelmente brilhantes para inserir novos personagens
em seu universo cinematográfico. Porém, talvez seja essa a primeira vez que percebemos
que nem tudo que reluz no estúdio é ouro. Homem-Formiga (Ant Man), apesar de
toda a tentativa da Marvel de trazer algo desconhecido às telonas e fazer dessa
ideia de risco alguma coisa incrível, está muito longe de se igualar às
produções anteriores que fizeram jus ao nome da empresa que criou alguns dos
melhores heróis da cultura pop.
No filme, o Dr.HankPyn (Michael Douglas) tenta esconder uma
experiência que criou de mãos erradas. Quando descobre que seu pupilo Darren
Cross (Corey Stol) está desenvolvendo o projeto “Jaqueta Amarela”, baseado nos
experimentos do seu mentor, Pyn sente uma ameaça e resolve contratar um exímio
ladrão, Scott Lang (Paul Rudd), recém-saído da prisão, para se infiltrar no
laboratório da Pym Technologies e roubar o protótipo do projeto de Cross, antes
que este possa levar o mundo ao caos.
Tanto a história do
primeiro Homem-Formiga (Pyn) quanto do segundo (Lang) possuem suas semelhanças
e diferenças com os quadrinhos. De um lado, vemos o Dr. Pyn, que usara o traje
de encolhimento do super-herói nas décadas de 70 e 80, afastado dos Vingadores
e seguindo seu caminho só; vale lembrar que o primeiro Homem-Formiga foi um dos
fundadores e principal membro do grupo de heróis, ao lado de sua esposa, Janet Van
Dyne, a Vespa (que é brevemente citada no filme, e deverá ser melhor explorada
nos próximos). De outro, vemos um Scott Lang não especialista em engenharia
eletrônica (como nas HQs), mas um exímio ladrão sem más intenções, que, ao sair
da cadeia, tenta abandonar a vida de crime e arranjar um emprego para ter
permissão de fazer visitas à filha (uma das personagens mais fofas e divertidas
do filme) que está sob a guarda da mãe e o padrasto. Porém, o que mais pode
decepcionar os fãs do universo dos quadrinhos é o fato de o herói do filme não
ser primeiramente o original, o que poderá ser prejudicial às futuras
continuações.
Não que Scott Lang
seja um mau Homem-Formiga – muito pelo contrário, pois o personagem de Paul
Rudd consegue, de fato, ser bastante carismático e cativante, apesar de não
muito inteligente -, mas, o mais prudente a um filme de origem seria inserir na
trama a verdadeira história do herói com seu principal alter ego, em vez de
apresenta-lo no universo cinematográfico como um quase coadjuvante, levando em
conta também as incríveis histórias de HankPyn e suas habilidades, como
diminuir, comunicar-se com as formigas e controla-las e espichar de tamanho –
tornando-se o herói “Gigante” ou “Golias”-.
O desenvolvimento da
trama não empolga. Apesar de Edgar Wright ter escrito boa parte do roteiro,
antes de ser demitido como diretor do longa-metragem, a história não possui uma
trama inovadora, tampouco profunda e abrangente, como a de Capitão América 2,
não explora bem seus personagens coadjuvantes e peca bastante por exagerar no
humor, chegando a ser engraçado e, ao mesmo tempo, irritante e fora do
contexto. Em resumo, o roteiro se perde em demasia, tendo ação onde não deve,
humor em momentos inoportunos e um melodrama forçado – apesar de compreensível
e necessário – que não fora bem dosado.
Claro que nem tudo
foi mal aproveitado nessa produção que, infelizmente, devo classificar como a
mais fraca dos estúdios Marvel. Há referências importantes a respeito do herói
e do universo dos quadrinhos que foram bem inseridos à trama, além das cenas
pós-créditos que darão um gostinho de “quero mais” para quem espera
desesperadamente por “Guerra Civil”. As cenas de ação estão divinamente bonitas
e eletrizantes, assim como os cenários gigantes dos momentos que em Scott
diminui, o que devo admitir ter inovado no quesito de sequências de ação dos
filmes de super-heróis.
Sendo o primeiro
filme da “Fase 3” da Marvel, Homem-Formiga decepciona a quem pretende ver um
filme de super-herói, principalmente do personagem cuja importância é
fundamental nos Vingadores, mas é divertido e empolgante para quem pretende
assistir a um bom filme-pipoca para relaxar e esquecer os problemas que a vida
proporciona, sejam eles gigantes ou minúsculos.





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